“ROBERTA
CLOSE NÃO É MAIS LUÍS ROBERTO”
Depois
de 15 anos de luta, a modelo conseguiu na Justiça o direito de mudar de seu
nome para Roberta Gambine Moreira. Na certidão de nascimento, agora ela é do
sexo feminino.
Jornalista
ARYANE CARARO
Roberta
Close, finalmente, foi reconhecida como mulher pela Justiça. Depois de uma luta
de 15 anos para mudar seus documentos de Luís Roberto Gambine Moreira para Roberta Gambine Moreira,
a modelo conseguiu que a 9.ª Vara de Familia do Rio de Janeiro a reconhecesse
como pessoa do sexo feminino. A decisão
de 1.ª instância foi dada no dia 4 de março,
pela juíza Leise Rodrigues de Lima Espirito Santo. Na semana passada,
com base num mandado oficial, Roberta providenciou certidão de nascimento com o
novo nome. Os advogados agora, providenciam os demais documentos - como RG e
CPF.
“É
uma vitória, mas bem tardia. Não precisaria ter demorado tanto assim, ter tido
tantos aborrecimentos” desabafa a mãe de Roberta, Maria Simões Moreira, 66
anos. “Ela lutou por uma coisa que não era vaidade, era um objetivo de vida,
um direito que era dela”.
Roberta
Close, nascida em 7 de dezembro de 1964, foi registrada como Luís. Em 1989, fez
na Inglaterra a cirurgia para mudança de sexo ou, como prefere chamar a
advogada Tereza Rodrigues Vieira, 43, cirurgia de adequação de sexo.
“O verdadeiro sexo da pessoa é o sexo psicológico. Ela sempre foi
feminina” explica a advogada, doutora em Direito pela Universidade de
Paris.
Desde
a cirurgia, Roberta lutava para mudar o nome. Em 1992, conseguiu na 8.ª Vara de
Familia do Rio autorização para troca de documentos, em 1.ª instância, que
foi negada pelo Supremo Tribunal Federal em 1997. Como não cabia mais recurso,
a defesa entrou com outra ação pedindo o reconhecimento de suas características
femininas.
Segundo
Tereza, Roberta passou por exames de 9 especialistas médicos e os laudos
mostram que ela tem 7% de células femininas e aspecto hormonal de mulher. Além
disso, a advogada usou como argumentos o direito a saúde (psicologicamente não
poderia viver com aquele nome) e à intimidade. Também anexou cópias de sentenças
que havia ganho sobre transexuais que conseguiram mudar o nome - foram 39 vitórias,
sendo 36 de São Paulo.
De
acordo com Tereza, até o Ministério Publico se manifestou favorável. “Falei
com a Roberta por telefone hoje (ontem) e ela está muito contente. É uma vitória
derrubar uma coisa julgada. Espero que outros transexuais consigam” diz.
Roberta está na Suíça.
Fuente:
«Jornal da tarde», Brasil, 16 de marzo de 2005.
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